Wiesenthal refuta tese de Netanyahu sobre papel do Mufti no Holocausto

O Centro Simon Wiesenthal, organização internacional de direitos humanos cujo principal enfoque temático é o Holocausto, publicou em seu site um editorial do Jewish Journal, de Los Angeles, intitulado “The truth about Jerusalem’s grand mufti, Hitler and the Holocaust” [A verdade sobre o Grande Mufti de Jerusalém, Hitler e o Holocausto]. O texto foi escrito por um rabino e um historiador, ambos associados ao Wiesenthal.
 
O jornal afirma que o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, “foi longe demais” ao declarar que o colaborador nazista Haj Amin al-Husseini, o Grande Mufti de Jerusalém, desempenhou um "papel central no fomento da Solução Final", tentando convencer Hitler a destruir os judeus durante uma reunião de 1941 em Berlim.
 
Ainda que negue ao Mufti esse papel, o Jewish Journal repassa a história do líder árabe para concluir que “longe de um ‘peso leve, o Grande Mufti será lembrado como um dos mais virulentos inimigos dos judeus no século 20 e um líder de torcida fundamental para a Solução Final genocida de Hitler”. Leia o texto.
 
Para o presidente da Conib, Fernando Lottenberg, a utilização política do Holocausto deve sempre ser lamentada: "As declarações do primeiro-ministro tiveram o mérito de trazer a público a nefasta atuação na Segunda Guerra do Mufti de Jerusalém, um notório antissemita e participante ativo em massacres de judeus. Mas Netanyahu exagerou o papel do palestino na concepção e implementação da Solução Final nazista. A utilização do Holocausto para finalidades políticas deve sempre ser lamentada, independentemente de quem o faça. Na crise atual, as lideranças devem buscar um papel efetivo para tranquilizar a situação e evitar mais violência."