“Segredos da ascensão regional saudita”

 Os governantes da Arábia Saudita ficaram apreensivos quando eclodiram as revoltas da Primavera Árabe, há quatro anos. Mas, longe de debilitar a dinastia saudita, o caos que se seguiu por toda a região, pelo contrário, deixou a monarquia com um poder e influência sem rivais. Um novo rei assume o trono em Riad e o autoritarismo com foco na estabilidade, sistema que os sauditas sempre privilegiaram, vem ressurgindo de Túnis ao Cairo e Manama. Os islamistas que pregavam eleições no país fugiram. O príncipe Mohammed bin Nayef, ministro do Interior responsável pelo combate à Al-Qaeda e às minorias xiitas descontentes com a monarquia, foi recompensado na semana passada e apontado como o primeiro herdeiro de sua geração na linha sucessória da coroa. A questão, segundo analistas e diplomatas, é que a ascendência dos sauditas em grande parte decorre da fragilidade ou do quase colapso de muitos Estados em torno do país, incluindo Iraque, Egito, Síria, Iêmen, Líbia, Bahrein e Tunísia. E a persistência da velha ordem depende muito do fluxo constante de recursos sauditas, de modo que sua influência custa caro (David D. Kirkpatrick, NYT/O Estado de S.Paulo).