Rabino Sacks analisa pesquisa sobre o perfil da comunidade judaica dos EUA

Rabino Sacks analisa pesquisa sobre o perfil da comunidade judaica dos EUA

“Um Retrato dos Judeus Americanos”, pesquisa recentemente publicada nos EUA, apresenta um perfil detalhado da comunidade judaica americana. A enquete foi realizada pelo "Religion & Public Life Project" do Pew Research Center entre fevereiro e junho deste ano, com uma amostra significativa da população judaica em 50 Estados.

 

Os resultados apontam que, do total de 6,8 milhões de judeus nos EUA, 35% são do movimento reformista, 18%, do movimento conservador; e 10%, ortodoxos. 70% têm ligação com Israel e 43% já visitaram o país.

 

Quanto à ligação com o judaísmo, 62% dizem que ser judeu é um aspecto apenas cultural, 23%, cultural e religioso, e 15%, apenas religioso.

 

Analisando os resultados, Jonathan Sacks, ex-rabino-chefe do Reino Unido, vê histórias de sucesso de três grupos diferentes de judeus que emigraram para a América, “enfrentando diferentes crises, sonhando diferentes sonhos".

 

Essas histórias de sucesso são: 1) os judeus como parte da sociedade norte-americana; 2) o judaísmo como cultura e etnicidade; e 3) o crescimento da presença ortodoxa nos EUA.

 

Para Sacks, o principal desafio colocado pela pesquisa – para as comunidades judaicas americanas e de todo o mundo – é a necessidade de responder a uma das principais perguntas feitas pela próxima geração do povo judeu: não como eu deveria ser judeu, mas por quê.

 

Com sua experiência de 22 anos à frente da comunidade judaica britânica e como autor de 25 livros, ele ofereceu sua resposta, em Jerusalém, durante Assembleia-Geral das Federações Judaicas da América do Norte, realizada em novembro passado.

 

"A Torá começa com a humanidade, não com os judeus. Com Abraão e Moisés, ela traz o protesto contra os primeiros impérios, Mesopotâmia e Egito. Os judeus são o único povo, ao longo dos séculos, que ensinou à humanidade a dignidade da diferença. Em termos técnicos, os judeus universalizaram a particularidade", diz o rabino.

 

"Nós somos parte de uma história que começou muito antes de nascermos, e a questão para todos nós é: vamos continuar a história?  As palavras de Moisés continuam a ressoar profundamente em nossa memória coletiva.  Somos parte dessa história e podemos vivê-la ou abandoná-la. Porém, é uma escolha que não podemos evitar, e que terá imensas consequências", prossegue.

 

Sacks afirma que a civilização ocidental foi construída com base em Jerusalém e Atenas, duas culturas muito diferentes. Ele observa que o judaísmo não gerou nenhum Ésquilo, nenhum Sófocles – mestres da tragédia. “Depois de todas as lágrimas na história judaica, poderíamos ter certeza de que  existe em hebraico a palavra tragédia. Mas não há! Porque o judaísmo é a rejeição, por princípio, da tragédia, em nome da esperança”.

 

Ele conclui: “Os judeus representam o povo que nunca abandonou seus sonhos e sua esperança, e o Estado de Israel é a representação da coragem de fazer um sonho se tornar realidade".