Professor palestino é obrigado a fugir, após levar alunos a Auschwitz

Professor palestino é obrigado a fugir, após levar alunos a Auschwitz

 O professor de Ciência Política Mohammed Dajani, da Universidade al-Quds, em Jerusalém Oriental, levou em 2014 um grupo de 27 estudantes desta universidade e da Universidade de Birzeit, para uma visita a Auschwitz. Foi a primeira visita organizada de estudantes palestinos a um campo de extermínio nazista.

Dajani sofreu muitas críticas entre os palestinos por sua iniciativa e foi chamado de “traidor”, por causa de uma tradução deturpada por um site palestino de um artigo do jornal israelense Haaretz.  O jornal disse que a viagem foi financiada por uma universidade alemã. O texto em árabe, no entanto, “noticiou” que ela foi financiada por sionistas, o que reforçou no professor a imagem de “traidor”.

Dajani pediu demissão da Universidade al-Quds em abril de 2014 por causa da perseguição que passou a sofrer de professores e alunos da própria instituição – e também fora dela, e pela insegurança que sentia. Alguns meses depois, ainda em Jerusalém, ele abriu inscrições para outra visita a Auschwitz. Em seguida, seu carro, que estava estacionado em frente à sua casa, foi incendiado. Para ele, foi uma tentativa de assassinato que falhou.

Em 2015, Dajani se mudou para os Estados Unidos e ganhou uma bolsa no The Washington Institute, onde atua como pesquisador do Instituto para a política do Oriente Médio. Segundo ele, a Universidade Al-Quds continuou a persegui-lo, alegando que ele estava prejudicando sua captação de recursos, por dar uma imagem negativa da instituição no exterior.

Ele trabalha em um programa de doutorado em Reconciliação da Universidade Friedrich Schiller, na Alemanha, para a qual indica estudantes palestinos, que cursam dois anos em universidades palestinas, e no terceiro ano vão à Alemanha, para concluir a graduação e obter o diploma.  “Ainda não temos financiamento, mas esperamos conseguir fundos”, afirmou.
 
Após cerca de um ano nos Estados Unidos, Dajani planeja voltar para Jerusalém por causa do término da bolsa, em novembro próximo. Ele disse que não tem medo de retornar.

Para ele, a resistência à sua visita à Polônia reflete as correntes mais amplas na sociedade palestina: "Há muitas razões que explicam esse comportamento. Do ponto de vista educacional, há profunda ignorância sobre o que aconteceu no Holocausto. Politicamente, as tentativas de pesquisar o tema são vistas como sendo destinadas a normalizar a ocupação. Um terceiro motivo é religioso. Após a segunda intifada, houve muitos ensinamentos antijudaicos nos programas de estudos islâmicos; o Alcorão foi ensinado numa perspectiva antijudaica. Muitos versículos do Alcorão foram propositalmente interpretados como antijudaicos. É por isso que as pessoas acreditam na narrativa de negação do Holocausto e não se interessam em aprender sobre o genocídio. Por fim, do ponto de vista psicológico, elas acham que, se você aprender sobre o Holocausto, é como se estivesse reconhecendo a narrativa do outro — e elas não querem isso. Não querem reconhecer a narrativa israelense, porque sentem que isso prejudicaria a narrativa palestina".

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