Obra sobre soldados brasileiros judeus na 2ª G.M. é lançada na Argentina

Obra sobre soldados brasileiros judeus na 2ª G.M. é lançada na Argentina

 Com a presença do presidente da Conib, Fernando Lottenberg, foi lançado no dia 8 de maio na Embaixada do Brasil em Buenos Aires o livro “Soldados que vinieron de lejos: los 42 héroes brasileños judíos de la Segunda Guerra Mundial”, de Israel Blajberg.

 
Estiveram presentes os embaixadores de Israel, Ilan Sztulman, e do Brasil, Sérgio Danese, e o presidente da DAIA- Delegación de Asociaciones Israelitas Argentinas, Ariel Cohen Sabban.
 
Publicada em 2008 e já lançada em diversas capitais brasileiras, a obra conta a história dos 42 combatentes brasileiros judeus na Segunda Guerra Mundial. Traz uma minibiografia de todos os combatentes e é fartamente ilustrada. A edição em espanhol foi publicada por iniciativa da DAIA e apoio da Conib.
 
O prefácio foi escrito pelo presidente da Conib. Leia na íntegra.
 
Pronunciamento de Fernando Lottenberg
 
“Caro Sr. Embaixador do Brasil na República Argentina, Sergio França Danese, Sr. Embaixador do Estado de Israel, Ilan Sztulman, Estimado Presidente da DAIA, Ariel Cohen Sabban, Sr. Israel Blajberg, senhoras e senhores.
 
É com satisfação e alegria que viemos até aqui para participar deste evento.
 
Parabenizamos a iniciativa da DAIA em promover a edição em castelhano do livro de autoria de Israel Blajberg.
 
Este contexto histórico, no qual são descritas as narrativas de alguns personagens do livro do autor, nos traz a real dimensão da importância do que sucedeu na vida da nação brasileira na década de 1940 e, em particular, para a comunidade judaica.
 
Conforme consta do prefácio:
 
“A declaração de guerra ao Eixo e o envio da Força Expedicionária Brasileira (FEB) para a Itália, em 1944, foram passos decisivos na História do Brasil.
 
O país tomou posição e respondeu com vigor às repetidas agressões que vinha sofrendo dos nazifascistas, contribuindo ativamente para o esforço de guerra aliado.
 
Em fevereiro e agosto de 1942, navios mercantes brasileiros foram torpedeados por submarinos alemães, provocando no país indignação generalizada: manifestações de rua, em campanha desenvolvida pela União Nacional dos Estudantes e pela Liga de Defesa Nacional, passaram a exigir a declaração de guerra.
 
Em agosto, a neutralidade do Brasil deixou de existir. Primeiro, com a declaração de rompimento das relações diplomáticas, no dia 22 e, em seguida, com a declaração do estado de guerra contra a Alemanha e a Itália, por meio do Decreto nº 10.358, do dia 31 do mesmo mês.
 
Entre os mais de 30 mil soldados que integraram as forças de terra, mar e ar enviadas à Itália, pelo menos 42 eram judeus brasileiros.” 
 
No livro “Soldados que vieram de longe”, Israel Blajberg nos relata sua saga.
 
O escritor destaca, com muita razão, a multiculturalidade que marcou a FEB; nas forças armadas brasileiras não havia, e continua não havendo até hoje, qualquer distinção étnica ou religiosa, que é o traço fundamental da identidade nacional brasileira.
 
Em geral, os jovens soldados só se conheceram depois que envergaram os uniformes militares. Afinal, seus pais e avós eram imigrantes de diferentes origens, como Marrocos, Polônia, Bessarábia ou Oriente Médio.
 
Blajberg faz um registro minucioso e empolgante da história da maioria desses 42 jovens. Na Europa, os soldados judeus, se fossem capturados, correriam um risco maior que os seus companheiros – e as razões todos conhecemos.
 
Identidade e cidadania. Assim se expressou, naquela oportunidade, o judaísmo brasileiro.
 
Aqueles rapazes viriam a se tornar escritores, artistas, professores, profissionais liberais, líderes comunitários. Nomes como o artista plástico Carlos Scliar – que publicou um Álbum de Guerra – e o escritor Boris Schnaiderman, autor de “Guerra em Surdina”, um romance-testemunho.
 
Aproveito este momento para uma nota pessoal: meu pai, Henrique Lottenberg, serviu ao Exército Brasileiro em 1944 e 1945, quando tinha dezoito anos. Não foi convocado para integrar a FEB mas, desde o Brasil, de alguma forma, modestamente, deu sua contribuição para o país e para o esforço de guerra.
 
A comunidade judaica brasileira também aderiu às campanhas da FEB em prol do esforço de guerra, e doou cinco aviões para a Aviação Militar, criada em 1942. Os judeus organizaram e operaram diversos comitês de auxílio aos refugiados, alguns ligados à Cruz Vermelha.
 
É mesmo uma história fascinante, essa que agora chega aos leitores de língua castelhana.
 
Segundo o autor nos relata, os brasileiros estiveram presentes na guerra contra o Reich em todas as frentes: na defesa do litoral brasileiro, na campanha antissubmarinos e na proteção de comboios marítimos no Atlântico Sul, além de, é claro, no chamado Teatro de Operações Europeu. A guerra custou a vida de 454 soldados brasileiros.
 
As consequências da campanha brasileira na vitória na Europa foram sentidas também em nossa política interna, e de certa forma levaram a mudanças profundas na própria vida dos brasileiros. Com efeito, a participação do país na guerra tornou evidente a contradição vivida pelo Estado Novo de Vargas, que enviava tropas para lutar pela democracia no exterior, mas internamente mantinha um regime ditatorial.
 
Assim, o retorno dos contingentes da FEB precipitou a queda da ditadura em 1945, quando teve início uma nova fase da história republicana brasileira, oficializada pela Constituição de 1946.
 
A CONIB apoiou a produção deste livro desde início, pois entende que a memória é um elemento fundamental na preservação da história, e nos ajuda a organizar nossa compreensão do passado, buscando a construção de um futuro menos intolerante e mais civilizado.
 
No dia de hoje, o Dia da Vitória, comemoramos o triunfo da democracia sobre o totalitarismo, dos direitos humanos sobre o racismo, da luz sobre a escuridão.
 
Obrigado. Muchas gracias. Shalom”.