O pequeno jornal que enfrentou Hitler

O pequeno jornal que enfrentou Hitler

Silvia Bittencourt lança hoje em Curitiba uma obra com a história do Münchener Post, que se tornou o principal inimigo dos nazistas na imprensa.

Em poucas horas, na noite do dia 9 de março de 1933, tropas nazistas destruíram praticamente toda a estrutura e os 50 anos de história do pequeno, porém tradicional, jornal Münchener Post, principal publicação social-democrata da Baviera, na Alemanha. Desde os anos 1920, quando Adolf Hitler começou a trilhar sua ascensão ao poder, o periódico questionava suas intenções, e se tornou o grande inimigo dos nazistas na imprensa. Apesar da importância dessa história, ninguém havia se dedicado a contá-la. Foi a jornalista brasileira Silvia Bittencourt, radicada na Alemanha desde 1991, quem se debruçou sobre os arquivos do Post, o que resultou no livro A Cozinha Venenosa – Um Jornal contra Hitler (Três Estrelas). A obra será lançada em Curitiba hoje, na Universidade Positivo, em parceria com o Museu do Holocausto.

A reportagem histórica fala sobre os mais de 10 anos da batalha que o Münchener Post empreendeu contra o líder nazista e seus seguidores. O jornal já alertava um ano antes de Hitler assumir como chanceler sobre a “solução final” reservada aos judeus. Silvia lembra que a publicação, ao longo dos anos, nunca abandonou a sua campanha, mesmo com a crescente popularidade de Hitler. “Quando ele virou chanceler e os primeiros decretos começaram a instalar a ditadura na Alemanha, o jornal não abrandou em nenhum momento. Eles não pararam de criticar e alertar que a Alemanha caminhava para um precipício.”

Pesquisa

Após o convite de Frias Filho, a jornalista iniciou a pesquisa e, pela primeira vez, uniu o trabalho histórico com o jornalístico. Na primeira etapa, Silvia passou meses lendo sobre Hitler e a história da imprensa da Alemanha. Depois, iniciou a pesquisa de campo em Munique, que incluiu buscas em arquivos públicos e entrevistas com fontes, como netos e bisnetos de jornalistas que atuaram no Post. “Não foi tanto pelas informações que tinham, mas para saber um pouco sobre o que aconteceu com a família, se ainda existem pessoas ligadas ao partido [Social-Democrata]”, explica. Da ideia inicial até o lançamento, que ocorreu no mês passado, em São Paulo, foram três anos de trabalho – hoje, o lançamento será seguido de um bate-papo com a autora e com o diretor do Museu do Holocausto, Carlos Reiss.