Inovador radical da música judaica, John Zorn se apresentará no Brasil

Inovador radical da música judaica, John Zorn se apresentará no Brasil

 John Zorn é um compositor, arranjador, produtor musical e saxofonista nova-iorquino, de origem judaica, expoente de gêneros tão diversos como o jazz, música erudita, klezmer, rock, punk e world music.

Em parceria do Centro da Cultura Judaica com o Cine Joia, em São Paulo, ele se apresentará pela primeira vez no Brasil, em 17 de março, acompanhado pelo Trio Masada.

Aos 59 anos, John Zorn já lançou mais de 100 álbuns, em que participa como intérprete, compositor e/ou produtor. Ele é considerado pela crítica norte-americana um inovador da música judaica.

Em 1992, organizou em Munique o Festival for Radical New Jewish Music, que reuniu grandes figuras do underground nova-iorquino, como Lou Reed, John Lurie, Frank London, entre outros. Zorn apresentou a peça Kristallnacht [Noite dos Cristais], misturando free-jazz, klezmer, discursos de Hitler e barulhos de vidros se estilhaçando. A partir daí, criou a coleção Radical Jewish Culture, no seu selo Tzadik [Justo, em hebraico], referência imprescindível para músicos alternativos.

O selo, que busca uma estética musical intrinsecamente judaica, tem um catálogo eclético que inclui reggae judeu, jazz cubano-judaico ou simplesmente música feita por judeus. O nome de um dos álbuns dá uma boa ideia do mix musical: “Pastrami Bagel Social Club”.

Em 1993, Zorn criou o grupo Masada, em busca da uma “nova música judaica”, mesclando de forma sofisticada klezmer e jazz. “A idéia era criar algo de positivo para tradição judaica, algo que fundasse um caminho para música judaica no século 21”, disse ele.

Masada não é apenas um grupo, mas uma série de livros de composições – todos realizados a partir de melodias tradicionais judaicas. O nome escolhido pelo grupo suscitou polêmicas. A fortaleza de Massada, no deserto da Judeia, foi palco da derradeira batalha entre o povo judeu e o Império Romano, vencida por estes; no ano 73 D.E.C, os últimos rebeldes judeus se suicidaram. Para os judeus do século 21, Massada é um símbolo da coragem intransigente de seu povo. Zorn vê nela um emblema radical da cultura judaica.

A série Masada é inspírada em Achad Ha’am, criador, no início do século 20, do sionismo cultural, que defendia uma revisão de prioridades do nacionalismo judaico. O movimento não queria resolver "o problema dos judeus", mas "o problema do judaísmo". Ele acreditava que o Estado independente não era uma necessidade primordial, mas seria uma etapa natural da evolução judaica. A redenção nacional e espiritual dos judeus viria com o livre desenvolvimento de expressões culturais e científicas próprias.

John Zorn se apresentará em 17 de março, às 22h, no Cine Joia, em São Paulo, com os integrantes do Masada: o trompetista Dave Douglas, o baixista Greg Cohen e o baterista Joey Baron.

Inaugurado em 1952 como um cinema para exibição da vanguarda japonesa, o Cine Joia teve suas portas fechadas na década de 1980, para virar um templo de igreja pentecostal.

Após grande intervenção estética e tecnológica, reabriu em novembro de 2011 como casa de shows, com uma programação musical de vanguarda e capacidade para 1.200 pessoas. Ingressos: www.cinejoia.tv/ingressos.

Veja apresentação de Zorn com o grupo Masada, em 1999, na Polônia.