Impasse no Egito

A  declaração alarmista do chefe das Forças Armadas egípcias, general Abdel Fattah al Sisi, de que o Estado corre o risco de colapso é um sintoma da incapacidade do governo do presidente Mohamed Mursi para controlar sozinho as forças que lhe fazem oposição. Mais que uma ameaça de retorno dos militares ao poder, que reverteria a Primavera Árabe no seu país-símbolo, a fala do general, também ministro da Defesa, constitui um lembrete sobre a importância do poderio militar para controlar as manifestações violentas no Cairo e em cidades como Port Said, Suez e Ismailia. A contrapartida, deduz-se, seria um maior envolvimento das Forças Armadas nas decisões do governo. Em sete meses no poder, o presidente –oriundo da organização religiosa Irmandade Muçulmana — mostrou-se incapaz de conter a oposição que lhe é movida por setores mais secularistas. Dois anos após o início dos protestos que derrubaram o marechal Hosni Mubarak, o presidente egípcio é acusado de recorrer a métodos similares aos do ex-ditador, como concentrar poderes na Presidência e empregar violência para reprimir manifestações populares. A melhor saída para Mursi pôr fim à convulsão política seria negociar com oposicionistas. Caso contrário, o primeiro governo democrático do país arrisca ser engolfado por uma espiral de violência e preparar o terreno, aí sim, para alguma aventura dos militares, que se apresentariam como a única força capaz de manter o Egito unido (Folha de S.Paulo – Editorial).