Historiadora lança no Rio o livro “Dez Mitos Sobre os Judeus”

Historiadora lança no Rio o livro “Dez Mitos Sobre os Judeus”

A historiadora Maria Luiza Tucci Carneiro, da Universidade de São Paulo, lançará nesta quinta, 26 de março, no Rio de Janeiro o livro “Dez Mitos sobre os Judeus”, em que analisa os mitos mais populares sobre os judeus e que contribuem para a persistência do antissemitismo. A autora fará uma palestra às 20h no Midrash Centro Cultural, com entrada gratuita e vagas limitadas. Informações: (21) 2239-1800

No dia 1º de abril, o livro será lançado, também com palestra, na Livraria Cultura em Porto Alegre, com apoio da entidade feminina Na’amat Pioneiras.

Curitiba, Belo Horizonte, Salvador e Brasília também terão eventos de lançamento. Em dezembro de 2014, o livro foi lançado em São Paulo. Veja resenha publicada no jornal O Estado de S. Paulo.

“O livro vem para desvendar não só a imagem (dos judeus), mas também como acontece a manipulação da mentira, a compreensão da verdade nos mundos atuais. E quando eu digo mundos atuais, refiro-me às múltiplas possibilidades de especulação dessa informação ou de outra que venha perturbar a realidade histórica. Como este livro trabalha os dez mitos, ele possibilita uma leitura em doses homeopáticas, de trás para a frente, que traz uma reflexão sobre o crescente antissemitismo. Ele busca suas raízes, questiona o seu discurso e como vem sendo aplicado, diante do conflito no Oriente Médio e diante de todo judeu”, disse Tucci Carneiro em entrevista à Conib.

Publicado pela Ateliê Editorial, com o apoio da CONIB, o livro é composto por textos breves, independentes, sem ordem obrigatória de leitura. Estes são os mitos abordados:

Mito 1: Os judeus mataram Cristo; Mito 2: Os judeus são uma entidade secreta; Mito 3: Os judeus dominam a economia mundial; Mito 4: Não existem judeus pobres; Mito 5: Os judeus são avarentos; Mito 6: Os judeus não têm pátria; Mito 7: Os judeus são racistas; Mito 8: Os judeus são parasitas; Mito 9: Os judeus controlam a mídia; Mito 10: Os judeus manipulam os Estados Unidos

O antropólogo Kabengele Munanga escreve no prefácio “São mitos construídos para reificar e atualizar os sentimentos de discriminação, hostilidade e ódio que remontam à noite dos tempos. O que está por trás desses mitos não é a intenção de se aproveitar deles para contar a história dos horrores ou para pedir penitência pelo ocorrido no processo de construção do judaísmo e do antissemitismo; pelo contrário. Os mitos retratados pela autora nos transportam ao coração da função política e ideológica dos mesmos”.

“Assim como em outras formas de preconceitos atrasados e medievais, dirigidos a variados grupos étnicos, religiosos ou de outra natureza, o sentimento antijudaico se assenta sobre mitos e sua perpetuação, fenômeno abordado de forma densa e clara neste livro”, afirma na orelha o jornalista Jaime Spitzcovsky.

“Ao procurar refazer a trajetória histórica dessas imputações, com seus efeitos inclusive no Brasil, a pesquisadora disseca a lógica desse monumento à estupidez que é o antissemitismo e presta um bom serviço à razão”, avalia o jornalista Marcos Guterman.

Estudiosa de diversas minorias sob o viés da intolerância e dos direitos humanos, a autora pretende escrever outras obras para análise dos mitos sobre grupos como ciganos, negros, indígenas, homossexuais.