Guia de mostra sobre a Shoá aborda importância do tema na identidade judaica

Guia de mostra sobre a Shoá aborda importância do tema na identidade judaica

 A exposição “Tão somente crianças: infâncias roubadas no Holocausto”, organizada pelo Museu do Holocausto de Curitiba e pela entidade feminina WIZO, será inaugurada no dia 11 de março em São Paulo.



A exposição segue os princípios pedagógicos do museu, resgatando histórias pessoais e promovendo a luta contra qualquer forma de discriminação e ódio. Uma parceria foi estabelecida com a Secretaria de Estado da Educação de São Paulo, que incluiu o evento no calendário escolar de 2014. Já está agendada a visita de mais de 4.000 estudantes, com a presença diária de quatro escolas. Para agendamento – também de escolas particulares -, contatar (11) 3257-0100, com Helena.



O site da Conib entrevistou Ana Clara Buchmann, guia voluntária da exposição. Ela é madrichá (coordenadora) do movimento juvenil Noam, da Comunidade Shalom, em São Paulo, e estuda na Escola de Comunicações e Artes da USP. Abordamos, entre outros temas, a importância do Holocausto como componente da identidade judaica.

 



Em recente pesquisa realizada com a comunidade judaica nos EUA, 75% dos entrevistados afirmaram que ser judeu “tem relação com a memória do Holocausto”.  A preocupação (“caring”) com Israel é mencionada por apenas 43%. Como você analisa estes números?



Acredito que uma maior identificação com o Holocausto do que com o Estado de Israel é algo negativo. Significa que a identidade judaica é definida mais por uma desgraça do que por aquilo que construímos depois – um Estado que recebe a todos os judeus, independente do contexto. Jamais esquecer é nossa responsabilidade para que, como povo, não deixemos que volte a ocorrer, seja conosco, ou com qualquer outra minoria. Mas existe muito mais dentro da ideia de "ser judeu": somos parte de uma cultura milenar, cheia de histórias, cores e tradição. A morte não pode valer mais do que isso tudo.

 



Como explicar a baixa ligação com Israel? O que deveria ser feito por líderes comunitários e também pela juventude judaica?



Os números me surpreendem, mas estamos falando dos EUA, realidade que conheço menos – ser judeu lá talvez não necessite tanto da conexão com Israel. Creio que por motivos políticos, na maior parte das vezes, muita gente se afasta da causa sionista. Estamos em um momento em que os boicotes a Israel crescem, e o país sofre certo isolamento. Mas afastar-se da causa não resolve o problema e diminui a possibilidade de argumentação e mobilização. Acho que é obrigação dos líderes comunitários incentivar a discussão em torno das questões israelenses, conscientizando a comunidade judaica e fomentando seu ativismo.

 



Você participou do projeto Marcha da Vida? Teria alguma sugestão a fazer com relação ao programa? Acha que os jovens judeus devem visitar vários campos de extermínio?



Sou madrichá do Noam há quatro anos. Em 2013, participei do programa Shnat Hachshará [programa em que jovens judeus passam um ano em Israel] e tive a oportunidade de ir à Polônia para aprender como educar em torno da Shoá; não conheço bem o programa da Marcha, mas é importante saber o que fazer com esse conhecimento, trazendo os jovens participantes mais próximos à comunidade. Enquanto tivermos nos campos de extermínio resquícios da nossa história, é parte do nosso dever passar por lá e manter a tocha da lembrança acesa.

 



Você e seus companheiros serão monitores de milhares de alunos da rede pública nesta mostra. Para eles, o tema é, muito provavelmente, algo distante. Como transmitir-lhes a dimensão da tragédia?



É um tema bastante distante, sim. Encanta-me poder ser um braço estendido para fora da comunidade judaica e trazer as pessoas para dentro da nossa história, sempre com o foco no ato de humanizar. Todos os seres humanos são merecedores de respeito, independente de suas escolhas, origens ou cor – nesse contexto, as crianças daqui devem se conectar com crianças de um mundo distante, no tempo e no espaço, mas que gostavam de coisas parecidas e tinham os mesmos sonhos. Só que elas, como reitera o título da exposição, tiveram suas infâncias roubadas – para sempre.

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A mostra estará em cartaz até 10 de abril, diariamente (incluindo finais de semana), das 9h30 às 17h, no Espaço Belvedere do Stand do Jardim das Perdizes, Avenida Marques de São Vicente x Avenida Nicolas Boer (Esq. Viaduto Pompeia), em São Paulo. O evento tem o apoio de Conib, Fisesp, Consulado Geral de Israel em São Paulo e Embaixada de Israel. A entrada é gratuita.