Do Egito à Tunísia

Um dos maiores críticos dos islamitas que dominam o cenário político na Tunísia desde a revolução de 2011 foi morto a tiros horas depois de receber, por telefone, a última de uma série de ameaças. O esquerdista Chokri Belaid combatia forças conservadoras que via como ameaça à natureza laica do Estado tunisiano. Seu assassinato acirra as tensões no ambiente tenebroso que envolve o pequeno país de onde partiu a onda de revoltas contra ditadores conhecida como Primavera Árabe. A morte de Chokri é atribuída pela classe média urbana e instruída a extremistas na órbita do partido religioso Al Nahda, que saiu da clandestinidade sob o antigo regime para tornar-se a principal força política. Embora pregue uma liderança islâmica moderna inspirada no modelo turco, o Al Nahda nunca conseguiu dissipar temores de que persiga o objetivo oculto de instaurar um regime religioso. Em agosto ocorreram manifestações de revolta contra um artigo constitucional em redação segundo o qual a mulher seria considerada "complementar" ao homem, e não igual. Nos últimos meses, jornais e TVs foram perseguidos por conteúdo supostamente imoral. Galerias de arte sofreram ataques anônimos. Uma tunisiana foi estuprada por policiais e processada por "atentado ao pudor" após ser encontrada num carro com o namorado. Ao mal-estar político-religioso soma-se a incapacidade do governo de reverter um quadro econômico calamitoso, agravado pela debandada dos turistas ocidentais — como ocorre no Egito (Folha de S.Paulo– Editorial). Leia mais em:

Análise: Crime mancha reputação de ‘transição exemplar’ do país (Folha de S.Paulo)

Jewish cemetery desecrated in Tunisia (JTA)