Conib apoia projeto de arquivo digital do Holocausto

O Arquivo Virtual sobre Holocausto e Antissemitismo (Arqshoah) tem como objeto a história e a memória dos sobreviventes de campos de concentração e refugiados do nazifascismo radicados no Brasil, desde 1933, ano da ascensão do nazismo ao poder, até os anos 1960, com o processo de naturalização destes refugiados.

Além de publicar documentação diplomática, pesquisada em arquivos como o do Itamaraty e o Arquivo Histórico Nacional, o projeto também grava testemunhos e depoimentos de sobreviventes. A iniciativa visa lutar contra a dispersão da documentação, o esquecimento e o movimento revisionista que nega o Holocausto. O foco é mostrar a história do antissemitismo no Brasil e na Europa, por meio do posicionamento do governo brasileiro diante do problema dos refugiados do nazismo e das discussões diplomáticas na Liga das Nações (antecessora da ONU).

A digitalização de conteúdo diplomático secreto é inédita no mundo, segundo a coordenadora do projeto, a historiadora Maria Luiza Tucci Carneiro, do Departamento de História da USP. Veja circular secreta do Itamaraty, de 1938,  em que o Brasil recusa a conceder o visto de entrada a judeus húngaros.

Criado em 2006, o projeto teve até 2009 financiamento da Fapesp-Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo para criação do portal e contratação de bolsistas. Em 2009, a entidade judaica de Direitos Humanos B’nai B’rith criou o programa “Adote um bolsista”, que permitiu a publicação de testemunhos de sobreviventes e de obras acadêmicas, como o livro “Cidadãos do Mundo – O Brasil diante do Holocausto e do nazifascismo”, de Tucci Carneiro.

Em maio passado, a Conib passou a apoiar o projeto, atuando ao lado da B’nai B’rith e da Federação Israelita do Estado de São Paulo.

O site do Arqshoah tem atualmente cerca de 1,5 mil documentos publicados; a intenção é chegar a 10 mil. Por meio de acordo com a Shoah Foundation, criada por Steven Spielberg, será possível, em médio prazo, copiar vídeos produzidos por esta instituição com testemunhos de sobreviventes.

Entre os novos projetos estão a criação de um inventário de artistas e intelectuais que buscaram refúgio no Brasil, uma exposição de obras destes artistas; a digitalização dos processos de naturalização de refugiados (com milhares de documentos inéditos, guardados no Arquivo Histórico Nacional) e a reformulação do site. Todos eles dependem de novos financiamentos e doações.

Para doar ao Arqshoah, entre em contato com a Conib.