Atentado no Monte do Templo cria precedente perigoso em Jerusalém

Atentado no Monte do Templo cria precedente perigoso em Jerusalém

O atentado terrorista que matou dois policiais israelenses de origem drusa e abalou Jerusalém em 14 de julho abre um novo precedente no conflito palestino-israelense, acirrando o clima de rivalidade entre diferentes grupos dentro de Israel.

O primeiro ponto a se entender é o lugar onde ocorreu o atentado. O Monte do Templo (para os judeus) ou Esplanada das Mesquitas (para os muçulmanos) é sagrado para ambas as religiões. É a primeira vez na história que um atentado com arma de fogo ocorre dentro deste santuário.

O segundo ponto é a origem dos terroristas. Os três são israelenses – de Umm al-Fahm, cidade árabe no norte do país-, não possuíam histórico na polícia e também não eram procurados por suspeitas de envolvimento com terrorismo.

O terceiro ponto é o que ocorreu depois do atentado. Na busca por informações para a investigação, autoridades de Israel ordenaram o fechamento do Monte do Templo/Esplanada das Mesquitas e a retirada de todos os civis.

É a primeira vez, desde 1967, que o país promove a evacuação do local. Toda sexta-feira, as rezas na Esplanada das Mesquitas reúnem em torno de 40 mil fiéis muçulmanos. Na última sexta, elas foram canceladas.

O novo precedente pode gerar revoltas e tensões. A possibilidade de que o episódio motive outros jovens a cometerem atentados é extremamente preocupante. Estudos sobre terrorismo revelam que, quando um atentado cometido por um “lobo solitário” é bem-sucedido, ele motiva outros.

Além disso, o fato de Israel ter fechado a Esplanada das Mesquitas gerou protestos de diversos países e pedidos de reabertura imediata. No passado, tensões envolvendo o local deflagraram a Segunda Intifada, no ano 2000, e serviram de justificativa para diversos ataques com facas, em 2015 e 2016.

O fechamento da Esplanada, mesmo que por poucos dias, é uma ação inédita, e a consequência pode ser mais violência.