Acadêmicos debatem com jovens líderes judeus o conflito do Oriente Médio

Acadêmicos debatem com jovens líderes judeus o conflito do Oriente Médio

 Duas horas foram um tempo muito curto para debater todas as questões suscitadas pelo sempre polêmico tema: Oriente Médio. Na noite de 25 de setembro, o Programa de Novas Gerações do Congresso Judaico Latino-Americano (CJL) realizou em São Paulo um debate com os professores de Relações Internacionais Heni Ozi Cukier, da ESPM-SP, e Guilherme Casarões, professor das Faculdades Integradas Rio Branco, da Fundação Armando Álvares Penteado e da Fundação Getúlio Vargas e a participação de cerca de 30 jovens líderes da comunidade judaica paulistana. O presidente do CJL, o brasileiro Jack Terpins, também participou do encontro.

A votação na ONU por um Estado palestino foi o foco no início das discussões. Guilherme Casarões lançou a pergunta: como entender a ação unilateral da Autoridade Palestina? E propôs: Mahmoud Abbas, presidente da AP, quer internacionalizar o conflito para trazê-lo à agenda dos israelenses. Casarões analisou limites e possibilidades dessa estratégia e traçou um painel dos vários cenários possíveis.

Heni Cukier expandiu o foco para a Primavera Árabe e o dano que pode ser causado a Israel pela adoção de políticas populistas nos países árabes. O professor da ESPM analisou as motivações de Mahmoud Abbas, presidente da AP, para a ação palestina na ONU e alguns dos obstáculos enfrentados por ele: as divisões entre os árabes e as próprias divisões internas dos palestinos.

Um longo debate após as considerações iniciais dos professores abordou desde a situação dos judeus no Brasil e a influência da Diáspora na política israelense, passando pela questão da segurança de Israel, e chegando até a ação dos líderes do Oriente Médio, vista sob a ótica de Maquiavel.

Algum consenso? Para Cukier, acordos pragmáticos são possíveis, apesar do histórico de ódio. Casarões julga que existe uma autovitimização de ambos os lados, pois a maioria olha apenas para o passado. Solução: pensar no futuro.

Na America Latina, o Programa de Novas Gerações do CJL visa formar novas lideranças, por meio da capacitação de jovens em seminários, de sua participação em sessões de organismos internacionais, e de palestras com personalidades do mundo político, acadêmico e comunitário.