A SUSTENTABILIDADE DAS ESCOLAS JUDAICAS

Eduardo Alcalay, presidente da mantenedora do Colégio I.L. Peretz, e Alexandre Ostrowiecki, presidente da escola Alef, falaram sobre a fusão das duas escolas paulistanas.



A Assembleia de Pais do Colégio I.L. Peretz aprovou recentemente a fusão. A nova escola ficará dentro do clube A Hebraica e, numa primeira fase, serão mantidos aspectos da cultura pedagógica de cada escola. 



“Juntando forças, teremos mais escala e mais qualidade”, disse Alcalay. “Precisamos de, no mínimo 700 alunos, para dar conta dos custos, bolsas de estudo, filantropia. Além disso, a fusão traz massa crítica”, acrescentou Ostrowiecki. 



Para Eduardo Wurzmann, “a decisão não é importante apenas para os pais dos alunos, mas para toda a comunidade judaica brasileira”.



Milkewitz acrescentou: “Herdamos uma bela comunidade, mas temos dificuldades há vários anos. A modernização é necessária. Vivemos situações semelhantes na união entre o Museu Judaico de São Paulo e o AHJB e na criação da Unibes Cultural”. A educadora Sarita Kreimer completou: “Os custos da escola judaica são muito altos, porque elas requerem período integral”. 



No debate, surgiram perguntas sobre a razão de ser da escola, que aluno pretende formar e com qual educação, além da preocupação com a possível perda de identidade de duas escolas tradicionais. Nessim Hamaoui, da Revista Shalom, observou que a comunidade não privilegia a escola judaica e também perguntou por que as escolas estão separadas dos movimentos juvenis. Permeou todo o debate a questão: como atrair os alunos que estão fora da escola judaica.



Alcalay respondeu que há muita discussão entre as duas escolas sobre todas estas questões, mas que o foco é o longo prazo. Para Ostrowiecki, “as carências da escola judaica nunca foram vistas como um problema comunitário”.



Bruno Laskowsky, presidente da Fisesp, notou que a “arquitetura comunitária precisa de uma grande transformação, pois as necessidades são novas, e a estrutura existente é insuficiente. É essencial a formação de capital humano”.



Para Wurzmann, a Conib e as federações são indutoras das ações, para que se tenha nas escolas “pagantes necessários para bolsistas suficientes”.