A primavera não morreu

Pessimistas de plantão começaram a anunciar a morte da primavera árabe, e a chegada de um inverno pouco auspicioso à reforma democrática desencadeada pelas revoluções da primavera. Motivos: o assassinato do líder politico secular tunisiano Chokri Belaid no dia 6 de fevereiro em Túnis; a detenção de reféns num complexo de gás na Argélia por terroristas ligados à al-Qaeda do Maghreb no final de janeiro que deixou pelo menos 23 reféns e 32 terroristas mortos; uma agitação e violência que não para no Egito; e uma guerra civil na Síria que segue matando de 50 a 80 pessoas por dia. Os críticos da guerra civil na Síria, que argumentam que o governo ferozmente secular de Bashar Assad é infinitamente melhor do que qualquer outro possível governo islamista, estão enganados. Eu não acho que os rebeldes ligados à al-Qaeda iam dominar o novo governo que nasceria se Assad fosse deposto. Isso é uma tática de intimidação da parte de esquerdistas anti-imperialistas e minorias religiosas, como os alauitas e os cristãos, que falam que seriam massacrados sem a proteção do regime Assad. O povo sírio merece muito mais do que a ditadura sangrenta da família Assad — que desde 1971, quando o pai de Bashar, Hafez, tomou o poder e começou a construção de um estado policial e repressivo, vem prendendo opositores do governo, torturando e matando (Por Rasheed Aboualsamh, O Globo).