Federação Israelita do Paraná

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Israel e a Diáspora: convergência
 
Fernando Muniz *
 
Em 19 e 20 de novembro de 2010 a Confederação Israelita do Brasil (CONIB) realizou em Manaus uma Convenção Nacional, com representantes das comunidades israelitas de todo o País. Diversos palestrantes trataram dos mais variados temas, do interesse tanto das grandes comunidades como daquelas mais modestas.
 
Uma dessas palestras atraiu especial atenção. Foi a do Embaixador de Israel no Brasil, Giora Becher. Ele falou de um tema muito importante, qual seja, a relevância do diálogo entre a diáspora e o Estado de Israel.
 
O embaixador Becher lembrou a todos que, hoje em dia, ocorre uma forte generalização entre judaísmo, enquanto religião e cultura, aqueles que se reconhecem como judeus e o Estado de Israel. Generalizações essas que, infelizmente, fortalecem os preconceitos mais obscuros.
 
Ao se criticar Israel, criticam-se os judeus em geral; ao se difamar o judaísmo, atacam-se não só os judeus, mas também Israel; ao se condenar determinado ato do governo israelense, são atingidos “por tabela” os israelenses que professam o judaísmo e também os judeus da diáspora.
 
Aliás, tais críticas reforçam-se mutuamente: determinado ato do governo israelense, supostamente condenável, acaba por ganhar contornos de ataque a todos que possuem vínculos religiosos, culturais ou mesmo de afinidade com os judeus e o judaísmo, independentemente de onde estejam.
 
Por esse motivo o embaixador Becher entende ser fundamental o estreitamento entre Estado de Israel e as comunidades da diáspora. A ideia é convergir: agregar esforços para, de uma maneira proativa e responsiva, contrapor-se às críticas excessivas, às análises distorcidas e as simplificações racistas, tudo com o objetivo de combater, sem tréguas, o preconceito atávico que paira sobre Israel, os judeus e o judaísmo.
 
A diáspora deve denunciar os excessos e, de modo inteligente, responder à altura os detratores, onde quer que estejam. Cabe-nos mergulhar no imenso manancial multissecular do judaísmo e, a partir dele, articular respostas que realcem o profundo humanismo, solidarismo e senso de comunidade que a nossa história e os nossos valores representam, em uma época tão turbulenta como a atual.
 
Isso não significa advogar um alinhamento automático com o governo israelense de plantão. Afinal de contas, as contingências políticas que determinam um ou outro ato de governo devem passar pelo crivo dos cidadãos, ainda mais em uma sociedade democrática e pluralista como a israelense.
 
O que importa é identificar o julgamento furioso e maledicente, recheado de preconceitos e dogmas racistas, que turva a razão e nega aos judeus a condição de indivíduos. Lutar contra o obscurantismo é o bom combate que manterá viva a luz da diáspora e íntegro o Estado de Israel.
 
Já que estamos a falar dos eventos da CONIB, a comunidade de Curitiba recebe com grande satisfação a notícia de que, em 2011, sediaremos a próxima Convenção Nacional. A responsabilidade que nos cabe, aliada ao orgulho que sentimos com essa deferência, nos motiva bastante a trabalhar para que tenhamos uma conferência com o brilho da que ocorreu em Manaus.

* Fernando Muniz é advogado e diretor da Federação Israelita do Paraná (FEIP).