Federação Israelita do Paraná

A verdade não se torna mais verdadeira porque todo mundo concorda com ela, nem menos verdadeira mesmo que o mundo inteiro discorde dela. More Nevuchim II 15 Maimônides
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Israel como solução



Acabo de chegar de Israel e em função do impacto que me causou essa experiência, quero dividir o que vi com outros brasileiros, principalmente não judeus, que pouco conhecem sobre a realidade desse país. 

 Nação pujante, com infraestrutura de Primeiro Mundo, onde se respira dinamismo econômico por toda parte, e não apenas em Tel Aviv, capital high tech do Oriente Médio, onde se situam laboratórios avançados das maiores empresas de tecnologia mundial. Ao dirigir pelo interior do país, de Norte a Sul, é impressionante verificar a fervilhante atividade agrícola, industrial, de comércio e turismo, num território muitas vezes desértico, observando-se o máximo aproveitamento de tudo o que existe. Nos dias de hoje soa como uma nova onda de desenvolvimento a partir da evolução do idealismo dos primeiros kibbutzim, agora com estruturas mais profissionalizadas de atividade empresarial.  

Críticos tendem a argumentar que Israel só chegou a esse patamar devido à ajuda internacional da diáspora judaica, em especial a americana. No entanto, o que vi é real, muito expressivo, e indago se os investimentos privados teriam ocorrido e prosperado se não houvesse um grande espírito empreendedor, gestão eficiente e segurança jurídica no país.  

Submetido ao constante escrutínio da mídia em geral, Israel é um país democrático sofisticado, com instituições que funcionam na plenitude, onde convivem diferentes povos de todos os matizes, judeus de todas as origens, grande população árabe com cidadania, que aufere todos os benefícios sociais e econômicos, e mais recentemente de imigrantes de outros países, principalmente da África e Ásia. Apesar do que se fala, Israel é um país tolerante com as diferentes manifestações culturais e religiosas (incluindo a muçulmana), que podem ser praticadas com total liberdade e cujas diferentes igrejas atuam no país na gestão dos inúmeros sítios religiosos, como se pode observar em Jerusalém. 

 Tive a oportunidade de conhecer o Museu do Palmach, em Tel Aviv, que apresenta de forma instigante a história dos primeiros movimentos armados que atuaram na formação do Estado de Israel, vitais na Guerra da Independência de 1948, vencida pelo país em resposta a seus vizinhos que o atacaram à época da aprovação da resolução da ONU que criou o Estado de Israel. Esses grupos formaram a origem das forças armadas do Estado de Israel contemporâneo.  

Em nenhum momento me senti inseguro em Israel. No entanto, respiram-se fatos dramáticos que afetam o cotidiano da população israelense. Não bastassem os constantes foguetes lançados de Gaza sobre populações civis em Israel, um desses casos é a situação do jovem soldado israelense Gilad Shallit. Sequestrado pelo Hamas há mais de quatro anos, permanece preso até os dias de hoje e, apesar de todos os apelos humanitários, as negociações para sua libertação se arrastam com condições e exigências cada dia mais extremadas (troca por centenas de presos, incluindo terroristas).  

Por outro lado, acho incompreensível o double standard dado pela cobertura da mídia internacional a Israel, com pouquíssima repercussão das ações agressivas de grupos árabes radicais (como o uso de escudos humanos com civis palestinos) e, por outro lado, a “comoção internacional” gerada com a questão da flotilha (com consequências trágicas, é verdade) mas que tentou chegar a Gaza numa ação de clara provocação ao poder constituído, e cujos integrantes estavam plenamente conscientes dos riscos que corriam.  

Considerando-se que sua existência tem apenas 60 anos, Israel é um verdadeiro milagre sob qualquer perspectiva. Apesar de sua legitimidade, criada a partir de resolução da ONU, o sentimento israelense transmite alguma insegurança quanto à necessidade de maior reconhecimento internacional e sensibilidade à crítica de que “deve” alguma coisa aos seus vizinhos palestinos, apesar dos esforços que têm sido empenhados. Legado de uma das maiores tragédias da humanidade como foi o Holocausto, fruto do esforço incansável de judeus de todo o mundo, à custa do sangue de muitos pioneiros, desde seus primeiros dias de criação Israel é uma realidade de fato e de direito, que deveria servir de exemplo de superação e como parceiro estratégico para outros países que queiram construir o futuro no caminho do desenvolvimento na região.   Nesse sentido, tenho minhas dúvidas sobre as reais perspectivas de um estado palestino independente que não passem por uma estreita parceria econômica e social com Israel.   Se, algum dia, um novo paradigma político for possível na região, Israel tem todas as condições para contribuir com seus vizinhos como um vetor alavancador de desenvolvimento e prosperidade econômica e social de um novo Oriente Médio.  

Orlando Lima é consultor empresarial. Publicado no jornal “O Globo” em 14/10/2010